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Percepo de espao, distncia, profundidade e tamanho
O espao que nos cerca e os objetos nele contidos podem ser percebidos atravs de vrias modalidades
sensoriais. Por exemplo, voc est lendo uma revista em seu quarto. De repente, ouve o choro de um beb. O 
choro persiste. Voc resolve ir at o bero instalado em outro quarto para ver o que aconteceu. L, voc se 
depara com uma pequena criatura muito infeliz, que rapidamente se aloja em seus braos. Por meio da viso 
voc pode comparar o beb com o tamanho do bero e o comprimento de seus braos. Desta forma, avalia 
corretamente o tamanho do rebento. O corpo do beb exerce presso sobre a pele de seus braos e, para 
mant-lo aconchegado em seu colo, os msculos dos seus braos se contraem. Esta presso e contrao 
fornecem informaes adicionais a respeito do peso e tamanho do pequeno choro. Ao afag-lo, voc sente a 
maciez da sua pele e verifica que sua temperatura est normal. Ao beijar-lhe a cabea, sente aquele cheirinho 
caracterstico de beb novo. 
Neste exemplo, as informaes foram captadas e transduzidas por, pelo menos, quatro modalidades sensoriais: 
audio, viso, tato e olfato. Pela audio voc tomou conhecimento da presena do beb choro. A 
intensidade do som permitiu avaliar a distncia a que se encontrava, isto , se estava dentro da casa, no 
quintal ou no vzinho. A direo do som, por sua vez, forneceu informaes sobre o local da residncia em que 
o beb se encontrava. Atravs destas informaes auditivas, voc foi capaz de identificar, com precjso, uma 
parte do espao ao seu redor. Avaliou alguns dos elementos nele contidos como, por exemplo, o local e a 
distncia a que se encontrava a fonte sonora, e ento deu incio a uma seqncia de comportamentos que 
culminaram com a sua presena diante do bero. Atravs da viso, olfato e tato voc pde coletar mais 
informaes a respeito do estado fsico e emocional do beb: no estava ferido (viso), no 
havia vomitado (viso e olfato), no estava molhado (viso, tato e olfato) 
e no estava com febre (tato). Suas concluses seriam bem diferentes se 
o beb fosse membro da famlia dos seus vizinhos e estivesse acomodado 
na casa adjacente  sua. Nestas circunstncias, as informaes seriam, provavelmente, apenas auditivas. 
Freqentemente, procuramos enriquecer nossas informaes a respeito de objetos que nos cercam estimulando, 
adequadamente, o maior nmero possvel de orgos sensoriais. H pessoas que, ao comprar arroz e feijo, no mercado ou 
na feira, no se contentam em olhar o produto. Antes de escolher o melhor, pegam os gros na mo e os examinam com o 
tato, para verificar a sua consistncia. Muitos do uma cheiradinha; outros, no entanto, s conseguem decidir-se depois de 
morder um gro. Neste captulo, analisaremos separadamente a percepo visual, auditiva, ttil e olfativa do espao. E 
preciso lembrar, no entanto que, em nosso dia-a-dia, todos os rgos dos sentidos esto simultnea e constantemente 
fornecendo um rico e complexo conjunto de informaes a respeito do espao que nos cerca, bem como do tamanho e 
distncia das coisas nele contidas e, obviamente, de seu significado. 
6.1. Percepo visual do espao 
Para compreender melhor os aspectos visuais da percepo espacial, podemos iniciar nosso estudo com situaes mais 
simples. Dediquemos nossa ateno a apenas duas dimenses do espao: a verticalidade (para cima  para baixo) e a 
horizontalidade (esquerda  direita). O exame destes aspectos bdimensionais do espao permite avaliar a largura, altura, 
forma e tamanho de figuras e objetos. O ser humano, no entanto, vive em um mundo tridimensional, onde a percepo da 
espessura ou profundidade dos objetos e a distncia que deles nos separa tambm  fundamental. Veremos mais adiante a 
delicada relao entre a percepo visual do espao bi e tridimensal, a percepo da contrao e relaxamento de nossos 
msculos e a percepo do equilbrio de nosso corpo. 
6.1.1. Percepo do espao bidimensional 
De 1930 a 1960, Witkin e outros pesquisadores realizaram uma srie de experimentos que consistiam, basicamente, em 
pedir s pessoas que colocassem uma haste na posio vertical. A princpio, isto parecia muito simples. Mas comeou a 
ganhar complexidade  medida que novas condies experimentais foram sendo investigadas. Por exemplo: a presena ou 
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ausncia de outros estmulos visuais alm da haste vertical; a orientao espacial destes, como paredes e 
molduras verticais ou inclinadas; a variao das condies posturais, acomodando os sujeitos em cadeiras 
inclinadas; a alterao da estimulao proprioceptiva, pela fora centrfuga e gravitacional resultante da 
rotao do cubculo em que o sujeito se encontrava. Estes experimentos mostraram que nossa percepo de 
verticalidade e horizontalidade (espao bidimensional)  resultante da interao entre fatores visuais e 
proprioceptivos. 
Os indcios visuais so predominantes. Porm,  medida que so removidos, a percepo do espao 
bidimensional passa a depender, cada vez mais, da estimulao proprioceptiva resultante da contrao dos 
msculos e do equilbrio ou desequilbrio do corpo. E mais ou menos como diz o velho ditado quem no tem 
co, caa com gato. 
Um resultado adicional, encontrado nestas pesquisas sobre percepo do espao, mostrou uma relao entre 
caractersticas de personalidade e a maior ou menor dependncia de indcios visuais ou proprioceptivos. 
Pessoas extrovertidas tendem a basear-se mais em indcios externos fornecidos pela viso, para colocar a haste 
na posio vertical. Pessoas introvertidas utilizam, predominantemente, indcios fornecidos pelo prprio corpo, 
atravs das sensaes proprioceptivas. 
A contribuio dos indcios proprioceptivos torna-se evidente quando tentamos nos locomover num recinto 
completamente escuro. Apalpando aqui e ali, conseguimos recolocar em sua posio vertical correta mveis e 
objetos derrubados, tendo como nico ponto de referncia nossa prpria postura e sensao de equilbrio. Se 
voc quiser testar sua capacidade de perceber a verticalidade de objetos, experimente, com os olhos venda- 
dos, recolocar na posio vertical um quadro anteriormente desalinhado na parede. A incrvel interao entre 
indcios visuais e proprioceptivos pode ser avaliada nos relatos de pessoas que foram submetidas  gravidade 
prxima de zero, isto , ficaram sem peso como os astronautas no espao. A princpio, elas tm dificuldades de 
orientar-se, mas acabam se adaptando a um ambiente no qual tudo flutua. Documentrios filmados durante os 
vos espaciais e a caminhada dos astronautas na Lua mostram claramente esta capacidade de adaptao. 
6.1.2. Percepo do espao tridimensional 
Alm da verticalidade (altura) e horizontalidade (largura), percebemos uma terceira dimenso: a espessura (ou 
profundidade) dos objetos e a que distncia se encontram uns dos Outros ou de ns. H um fato interessante 
a respeito da percepo desta terceira dimenso: as imagens do mundo tridimensional so projetadas sobre a 
retina, que  uma estrutura bidimensional. Nosso comportamento, porm, mostra que percebemos cor- 
retamente a terceira dimenso (distncia e profundidade). Como esta informao  preservada? Resultados 
experimentais, obtidos de estudos diversos, permitiram reunir trs tipos de indcios de profundidade 
responsveis pela nossa percepo de distncia: musculares, binoculares e monoculares. 
6.1.2.1. Indcios musculares 
Dois conjuntos distintos de msculos proporcionam informaes sobre a distncia. 
 Primeiro, os msculos que controlam a posio dos nossos olhos quando fitamos objetos prximos e distantes (fig. 6.1). 
Se voc quiser sentir estes msculos, experimente a seguinte ginstica. Segure um lpis com o brao estirado  sua frente 
(fig. 6.2). Olhe para o lpis, prestando ateno ao tamanho e visibilidade dos objetos atrs dele. A seguir, olhando 
fixamente para o lpis, aproxime-o de seu nariz. Seus olhos estaro convergindo para uma posio gradativamente mais 
desconfortvel. Quando estiver com o lpis bem prximo de seu nariz, preste ateno novamente ao tamanho dos objetos 
atrs do lpis. Voc notar que parecem consideravelmente menores. Isto ,  medida que aumenta a distncia entre o lpis 
Msculo reto superior 
Msculo elevador da plpebra superior 
Msculo reto interno 
Msculo reto externo 
Nervo ptico 
Msculo reto inferior 
Msculo oblquo inferior 
Figura 6.1. Msculos do olho. 
Msculo oblquo superior 
Trclea 
88 
89 
a 
1 
b 
e os objetos do fundo, estes parecem menores. Portanto, a convergncia 
dos olhos proporciona informaes tanto sobre a que distncia se encontra o objeto que estamos observando, quanto sobre 
a distncia entre ele 
e outros objetos do ambiente. Os indcios fornecidos por estes msculos 
proporcionam informaes sobre objetos prximos (a menos de 25 metros). 
 Segundo, os msculos ciliares (fig. 6.3), responsveis pela curvatura e espessura do cristalino, que, por sua vez, tem a 
finalidade de acomodar a imagem do objeto com nitidez sobre a retina. Para objetos que se encontram a distncias 
superiores a 8 metros, estes msculos no fornecem indcios de profundidade. A esta distncia, o cristalino j tem sua 
curvatura mnima. 
Os indcios provenientes destes dois conjuntos de msculos proporcionam informaes a respeito da distncia de objetos 
muito prximos de ns. So, portanto, indcios no mediados pelos fotorreceptores da retina, e sim pelos 
mecanorreceptores que se encontram nesses msculos. 
6.1.2.2. Indcios binoculares 
Voc j pensou como deve ser o mundo visual das galinhas? Cavalos e algumas espcies de aves e peixes 
possuem olhos voltados para duas regies completamente diferentes do ambiente. Disto resultam duas 
imagens retinianas bem distintas. Elas tm em comum apenas uma pequena parte do campo visual situada bem 
 sua frente. No ser humano, no entanto, 
Figura 6.3. Msculos ciliares, responsveis pela espessura do cristalino, a) Msculo relaxado 
- cristalino achatado (acomodao para longe). b) Msculo contrado - cristalino de curvatura aumentada (acomodao para perto). 
os olhos esto na frente da cabea, ambos voltados para o mesmo campo visual. A distncia relativamente 
pequena (aproximadamente 6,5 cm) entre as duas pupilas d origem a duas imagens retinianas levemente 
discrepantes. Para avaliar a magnitude das diferenas, faa a seguinte tentativa: 
pegue um lpis, feche um olho, e com o outro olhe para um objeto a uma certa distncia, como um quadro na 
parede, por exemplo. A seguir estenda seu brao. Tente alinhar o lpis, de tal forma que ele cubra uma parte 
especfica do quadro. Permanea imvel nesta posio. Agora, feche o olho que estava aberto e abra aquele 
que estava fechado. O que acontece? Parece que o lpis mudou de posio em relao ao quadro, o que no  
verdade, pois o seu brao permanece firme e imvel no mesmo lugar. Comece a piscar, fechando e abrindo os 
olhos alternadamente. Voc ver o lpis pulando de um lado para o outro. Isto ocorre porque cada olho 
recebe uma imagem um pouco diferente dos mesmos objetos, isto , h uma discrepncia entre as duas 
imagens. Esta discrepncia  conhecida como disparidade bin ocular, disparidade retiniana ou estereopsia. 
E precisamente da desigualdade das imagens projetadas nos dois olhos que o crebro extrai a informao 
sobre a que distncia o objeto se encontra do obser Acomoda 
para longe 
Acomodao para perto 
Figura 6.2. A convergncia dos olhos, a) Diante de objetos distantes. b) Diante de objetos muito prximos. 
ciliar 
90 
91 

(/: 
dq,o 

vador. Isto pode ser comprovado com o auxlio de aparelhos conhecidos como estereoscpios. O efeito  obtido tirando-se duas 
fotos do mesmo objeto, no mesmo momento, com duas mquinas fotogrficas colocadas a 6,5 cm uma da outra, ou seja,  
mesma distncia de um olho para o outro. As duas fotos levemente desiguais so colocadas no estereoscpio, que projeta 
imagens separadas e diferentes em cada olho. Portanto, o observador encontra-se numa situao semelhante quela verificada 
durante a viso normal. Da diferena entre a estimulao, resulta a impresso de profundidade. 
6.1.2.3. Indcios monoculares 
Alm dos indcios musculares e binoculares, h uma srie de outros que permitem a percepo de espao quando a observao  
feita com um olho apenas. Os denominados indcios monoculares so comumente utilizados quando se deseja criar a percepo 
de espao em fotografias, desenhos e pinturas. O cinema e a televiso, que nada mais so do que a projeo de imagens em telas, 
recorrem a estes recursos com muita freqncia. E difcil imaginar que, em outras eras da civilizao ocidental, os artistas no 
tivessem conhecimento de muitas normas hoje consideradas elementares. L.eonardo Da Vinci (1452-1519), durante o 
Renascimento, foi responsvel pela primeira descrio detalhada da perspectiva, um dos indcios monoculares de distncia. 
Dentre os vrios indcios monoculares, destacaremos alguns, como: tamanho relativo dos objetos, perspectiva linear, gradiente 
de textura e densidade, superposio ou interposio, luz e sombra, perspectiva area e paralaxe de movimento (fig. 6.4). 
Figura 6.4. Alguns dos principais indcios monoculares de distncias. Tamanho relativo: objetos de mesmo tamanho colocados 
a diferentes distncias projetam imagens de diferentes tamanhos sobre a retina - os prximos produzem imagens grandes e os 
distantes, imagens pequenas. Isto , o tamanho relativo da imagem retiniana pode proporcionar informaes sobre a distncia a 
que o objeto se encontra. Uma imagem pequena pode significar um objeto grande distante ou um objeto pequeno prximo. 
Perspectiva linear: paralelas so retas que no se encontram. Porm, os trilhos da ferrovia e as marcas dos pneus na auto-
estrada parecem convergir  distncia no horizonte. Esta convergncia aparente de paralelas  um dos sinais dos quais nosso 
crebro extrai informaes a respeito da distncia. Gradiente de textura: sempre que nos deparamos com numerosos elementos 
semelhantes formando uma superfcie como ladrilhos, tacos ou pedras no cho, aqueles que esto prximos projetam imagens 
retinianas maiores que os distantes. Esta diferena progressiva das imagens retinha- nas proporciona um gradiente de textura no 
qual os elementos distantes parecem gradativamente menores e mais numerosos. Superposio: dados dois objetos, se um oculta 
parcial- mente o outro, este  percebido como estando mais prximo. Luz e sombra: a maioria das fontes luminosas encontra-se 
no alto conferindo um conjunto caracterstico de luz e sombras ao ambiente. Em geral a parte superior dos objetos  mais 
brilhante, havendo sombra na parte inferior. Se voc virar o livro de cabea para baixo, provavelmente a bola sobre a caixa 
parecer uma cavidade, e a cavidade parecer uma bola pendurada no teto. Perspectiva area: objetos muito distantes parecem 
embaados e azulados. 
Tamanho relativo Perspectiva linear 
Gradiente de textura Superposio 
Luz e sombra Perspectiva area 
92 
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 Tamanho relativo dos objetos 
Como vimos, quando um objeto se afasta do observador, sua imagem projetada na retina diminui 
gradativamente de tamanho. Portanto, dois objetos conhecidos e de igual tamanho, um prximo e outro 
distante, projetaro imagens de tamanhos diferentes na retina. E precisamente desta diferena de tamanho que 
o crebro extrai informao sobre a distncia a que se encontram os objetos. Como se v, a percepo de 
tamanho e a percepo de distncia esto vinculadas. A importncia desta relao torna-se bvia nas 
discrepncias encontradas em descries de objetos desconhecidos encontrados em lugares ermos ou mal 
iluminados, desprovidos de pontos de referncia para o julgamento do tamanho ou da distncia. 
 Perspectiva linear 
Voc certamente j notou que os trilhos de uma estrada de ferro, apesar de paralelos, parecem convergir em 
algum ponto no horizonte distante. O mesmo acontece com os acostamentos das estradas de rodagem e com 
as rvores que ladeiam longas alamedas. A esta convergncia aparente de linhas paralelas no horizonte damos 
o nome de perspectiva linear. Na representao bidimensional em desenhos e fotografias, os trilhos sempre 
aparecem como convergentes. Disto resulta a impresso de profundidade e distncia. 
 Gradiente de textura e densidade 
Superfcies inteiramente lisas so raras. De um modo geral, a superfcie dos objetos  irregular, possuindo 
estruturas que se distribuem de forma mais ou menos uniforme por toda a sua extenso, dando-lhe uma textura 
particular. E o que ocorre com a pele, a areia da praia, as pedras do cho, o veludo, um gramado ou uma parede 
de tijolos. Da prxima vez que voc estiver no corredor da sua Faculdade, preste ateno ao cho, em 
particular ao piso de taco, ladrilho ou pedra. Verifique como,  medida que seu olhar se fixa mais longe, as 
pedras parecem menores e mais numerosas. Sua textura adquire um aspecto gradativamente mais fino ou mais 
denso. Portanto, a textura da superfcie fornece informaes importantes a respeito da distncia a que se 
encontram as pessoas e objetos do nosso ambiente. Por exemplo, observe dois amigos jogando bola em um 
campo de futebol. Aquele que estiver sobre a regio do gramado que se assemelha a um denso tapete de 
veludo parecer mais distante do que o outro, que joga na regio do campo mais prxima de voc, onde ainda  
possvel discriminar folhas e falhas na grama. Estas modificaes gra duai 
formam um gradiente de textura em que objetos distantes so encontrados nas regies do solo cujas projees 
retinianas so pequenas. Nas regies do solo que projetam imagens maiores, estaro os objetos mais prximos. 
Alm das modificaes na textura,  preciso lembrar que, na forma dos elementos da superfcie, tambm 
ocorrem modificaes aparentes, conforme as regras da perspectiva descritas anteriormente. Voltemos ao cho 
do corredor da sua Faculdade: alm de parecerem menores e mais numerosos  distncia, os ladrilhos (tacos ou 
pedras) que so quadrados (ou retangulares) parecem possuir uma forma trapezide. Ou seja, o lado mais 
distante do ladrilho projeta uma imagem menor na retina do que o lado mais prximo de voc. 
O gradiente de textura da superfcie varia de acordo com a sua inclinao, fornecendo informaes importantes 
sobre subidas e descidas de ruas, rampas e estradas e a presena de despenhadeiros ou degraus. Quando a 
superfcie do cho  muito lisa, uniforme e mal iluminada,  difcil perceber degraus. Por esta razo,  prudente 
acrescentar faixas coloridas ou de material contrastante, para criar um gradiente de textura e assim evitar 
acidentes. 
E preciso no esquecer que estamos estudando cada um destes indcios, separadamente, com o intuito de 
conhec-los melhor. Porm, quando nos movimentamos em nosso dia-a-dia, todos eles operam em conjunto, 
proporcionando-nos meios de julgar o ambiente pronta e precisamente. 
 Superposio, interposio ou ocluso 
H uma lei da Fsica que afirma, muito acertadamente, que dois objetos no podem ocupar o mesmo espao ao 
mesmo tempo. Na retina, as imagens dos objetos de um mundo de trs dimenses so projetadas sobre uma 
superfcie de apenas duas dimenses, na qual no existe a dimenso da profundidade. A informao sobre a 
distncia e a profundidade  preservada por meio da ocluso parcial de uma imagem pela outra. Se estivermos 
observando trs ou quatro objetos enfileirados  nossa frente, o primeiro projetar sobre nossa retina uma 
imagem que encobrir parcialmente o segundo. Este, por sua vez, ocultar uma parte do seguinte, e assim 
sucessivamente. Esta interposio, superposio ou ocluso proporciona um forte indcio para a percepo da 
distncia relativa entre objetos. 
 Luz e sombra 
No mundo em que vivemos, a iluminao vem quase sempre de cima, do Sol, da Lua ou das luminrias do teto. 
Iluminao colocada em outras regies do ambiente proporciona efeitos surpreendentes e por ve 94 
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zes assustadores. Decoradores e diretores de filmes de terror utilizam-se deste recurso com freqncia. 
Experimente olhar-se no espelho, num recinto completamente escuro, tendo como nica fonte de iluminao 
uma lanterna, colocada um pouco abaixo do seu queixo, iluminando seu rosto de baixo para cima. Que tipo de 
emoo voc sentiu ao contemplar-se assim no espelho? Pea a participao de familiares e amigos. Verifique 
como a sua reao muda  medida que uma outra pessoa movimenta lenta- mente a posio da lanterna do 
queixo para a testa, onde a luz dever ser apresentada de cima para baixo. 
Em parte, a beleza surpreendente do nascer e pr do Sol  devida aos efeitos de luz e sombra criados nos 
objetos e paisagens, alterando seu tamanho e forma. Proprietrios de casas noturnas de espetculos 
aproveitam-se deste indcio para criar climas especiais de entretenimento, instalando a iluminao no cho. 
Diretores de filmes de terror e tcnicos de efeitos especiais, no cinema e na televiso, lanam mo deste indcio 
para nos proporcionar espetculos convincentes. Tcnicas modernas de maquilagem oferecem  mulher a 
oportunidade de alterar o rosto, atravs dos efeitos de luz e sombra, permitindo ressaltar alguns aspectos de 
sua fisionomia e atenuar outros. E fcil entender que cosmticos mal empregados podem produzir drsticos 
efeitos, contrrios aos desejados. 
J vimos, no item anterior, que a ocluso parcial de imagens na retina  um indcio da distncia relativa entre 
objetos. 
Perspectiva area 
Eis a um indcio de distncia muito conhecido de todos que vivem na zona rural e em cidades poludas. 
Quanto maior a distncia maior o nmero de partculas de gua, p e poluentes existentes no ar, entre 
observador e objeto observado. Disto resultam objetos que parecem progressivamente menos ntidos, mais 
azulados, violceos ou acinzentados. Cor seqentemente, menos detalhes podero ser discriminados. O 
recurso c empregar figuras pouco ntidas e azuladas  freqentemente utilizado por artistas que desejam criar a 
percepo de profundidade em seus desenhos, pinturas e filmes, O emprego de fumaa e vapor nos modernos 
shows de msica alteram a percepo de distncia nos palcos de pouca profundidade. 
 Paralaxe de movimento 
Este  o ltimo dos indcios de profundidade que descreveremos, lembrando que ainda existem outros. Trata-
se de um indcio cintico, pois  produto da movimentao do prprio observador ou dos objetos observados. 
Da prxima vez que voc estiver em um veculo em movimento, 
preste ateno ao seguinte detalhe: objetos prximos, como postes, rvores, portes e porteiras, parecem 
movimentar-se rapidamente no sentido contrrio ao seu. Ao passo que edifcios, casas e colinas distantes, 
alm do seu ponto de fixao visual, parecem deslocar-se lentamente com voc, isto , no mesmo sentido. Esta 
aparente discrepncia entre o movimento de objetos prximos e distantes fornece importantes indcios sobre a 
profundidade do espao em que voc se encontra. E denominada de paralaxe de movimento. Se, por outro 
lado, voc no quiser esperar at seu embarque em um veculo, tente a seguinte experincia imediatamente: 
pegue dois lpis; segure um com a mo esquerda, prximo de seu rosto; o outro com a mo direita e com o 
brao bem esticado  sua frente. Olhe fixamente para o lpis prximo e mova a sua cabea de um lado para o 
outro, sem perder o lpis de vista. Observe o que acontece com o lpis distante: ele parece mover-se na mesma 
direo que a sua cabea. Agora faa o mesmo, olhando fixamente para o lpis distante. Mova novamente a 
cabea de um lado para o outro. Voc ver que, desta vez, o lpis prximo, para o qual voc no estava 
olhando, desloca-se na direo contrria ao movimento lateral da sua cabea. 
A paralaxe de movimento pode ser considerada o principal indcio de profundidade, pois est presente em 
recm-nascidos mesmo antes que estes possam coordenar os movimentos de seus olhos. Adultos que 
possuem apenas uma vista funcional valem-se do mesmo indcio, como  possvel verificar pela movimentao 
caracterstica de sua cabea quando querem julgar a distncia. E utilizada tambm por animais, como, por 
exempio, galinhas e cavalos, dotados de olhos cujos campos visuais so separados ou tm pouca ou nenhuma 
sobreposio. 
No transcorrer deste captulo, analsamos a percepo do espao bi e tridimensional separadamente. E bvio, 
no entanto, que a percepo do espao que nos circunda depende da interao de todos os indcios. 
Seguramente, esta riqueza to grande de indcios visuais contribui para a sobrevivncia e formidvel 
adaptao do ser humano sobre o planeta. 
6.2. Percepo auditiva do espao 
J vimos, no exemplo de nosso beb choro do princpio do captulo, que a percepo do espao  
proporcionada por diversas modalidades sensoriais. Vimos o importante e complexo papel desempenhado pela 
percepo visual. Vale a pena acrescentar mais alguns detalhes teis sobre a percepo auditiva do espao. 
Por meio do sistema auditivo, muitos objetos e elementos do ambiente podem ser detectados, localizados e 
identificados, permitindo que sua natureza e trajetria no espao sejam prontamente percebidas. Voc, 
certamente, ainda se recorda da importncia de possuirmos dois olhos e do fa 96 
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to de que o crebro extrai informao sobre a localizao no espao tridimensional da discrepncia entre as 
duas imagens retinianas, parcialmente diferentes. Tambm possumos dois ouvidos, e as diferenas temporais 
na estimulao de suas respectivas clulas receptoras fornecem informaes sobre a localizao da fonte 
sonora. Raramente as fontes sonoras em nosso ambiente se encontram  nossa frente. Freqentemente, os 
sons so emitidos por objetos, animais ou pessoas que, como ns, movimentam-se pelo espao. Assim sendo, 
atingem primeiramente um ouvido e a seguir o outro. Se voc encostar um despertador a seu ouvido direito, 
voc ouvir o seu tique-taque primeiramente com este ouvido e, apenas meio milionsimo de segundo depois, 
poder ouvi-lo tambm com o ouvido esquerdo. No  apenas quanto ao tempo de chegada que o estmulo 
sonoro difere; quanto  intensidade tambm. O som que atinge o segundo ouvido  sempre menos intenso:  
atenuado pela barreira do crnio. 
Destas diferenas temporais e de intensidade, o crebro extrai informaes sobre a localizao da fonte sonora 
no espao. A informao visual e auditiva do ambiente  captada por dois rgos sensoriais simetricamente 
localizados na cabea. Os impulsos nervosos oriundos de um olho (ou ouvido) diferem ligeiramente daqueles 
oriundos do outro. Desta diferena no resulta nenhuma confuso na percepo, como poderamos esperar. 
Muito pelo contrrio, a discrepncia fornece ao crebro elementos para uma correta percepo do espao 
visual (distncia e profundidade) e auditivo (localizao). Quando, por exemplo, olhamos para uma pessoa que 
est falando conosco bem na nossa frente, a discrepncia de vermos com os dois olhos e ouvirmos com os 
dois ouvidos  mnima. Disto resultar um julgamento correto a respeito do local e da distncia em que se 
encontra nosso interlocutor. A intensidade do som tambm nos fornece informao sobre a distncia em que 
se encontra uma fonte sonora conhecida. A experincia nos ensina que os sons diminuem de intensidade  
medida que se distanciam as suas fontes sonoras. Em recintos grandes, como cinemas, teatros, igrejas e salas 
de conferncia,  preciso tomar providncias para que a platia possa ouvir bem em qualquer lugar. 
Atualmente,  possvel superar muitas dificuldades com o auxlio das modernas solues eletrnicas, 
empregando amplificadores e alto-falantes. No passado, uma parte do sucesso dos cantores de pera, corais e 
das grandes orquestras e bandas era devida  grande intensidade dos sons emitidos nestes espetculos. 
Durante muitos sculos, arquitetos de todo o mundo vm desenvolvendo normas para construo de grandes 
espaos que favoream a propagao do som, evitando, porm, a formao de ecos. De um modo geral, estes 
recintos tm um teto muito elevado que no  paralelo ao cho. As velhas e famosas catedrais europias e 
nossas igrejas coloniais fornecem exemplos de solues arquitetnicas bem-sucedidas. 
H situaes em que o eco  propositadamente criado e empregado para a percepo de objetos no espao. 
Este procedimento  freqente por 
parte das pessoas portadoras de deficincias visuais. Elas se utilizam do eco de seus prprios passos para 
obter informao sobre a presena de objetos prximos. Neste caso, os ecos desempenham um papel 
importante em sua locomoo. Um mecanismo de orientao espacial semelhante  utilizado pelos morcegos 
enquanto voam. Atravs do eco de sons gerados por eles mesmos, caam mjnsculos insetos. Evitam colises 
com objetos do ambiente, voando com espantosa agilidade e preciso. O sonar provoca eco no meio lquido 
e permite detectar, com auxlio de aparelhos especiais, cardumes e objetos submersos. Na Medicina, sua 
aplicao oferece a oportunidade de obter informaes sobre as caractersticas e funcionamento de estruturas 
anatmicas, como o corao e os rgos genitais do feto, muito antes de seu nascimento. Desta forma, o 
mdico avalia o desenvolvimento do feto e, tambm, os pais so auxiliados na escolha do nome e da cor do 
enxoval do beb. A ecografia  uma descrio muito til da forma e funcionamento do corao. O ser humano 
no tem receptores adequados para captar os sons empregados no sonar. Estes so emitidos e captados por 
aparelhos especiais que os transformam em estmulos visuais. 
A percepo auditiva  apenas um aspecto da complexa percepo 
espacial do ser humano. Informaes audiovisuais a respeito de objetos 
e pessoas so comparadas com informaes tteis, cinestsicas, olfativas 
e gustativas. Portanto, quanto mais abundantes forem as informaes, 
maior a probabilidade de um julgamento correto do espao e dos objetos 
nele contidos. 
6.3. Percepo espacial ttil 
Dizem que tamanho no  documento. Convm lembrar, no entanto, que a pele  o maior de nossos rgos 
sensoriais. E prontamente empregada pelo beb recm-nascido, ao iniciar sua interao com o ambiente. De 
certa forma, a pele se assemelha  retina do olho e  cclea do ouvido. Nos trs rgos sensoriais, os 
receptores encontram-se agregados, um ao lado do outro, em uma superfcie sobre a qual incide a energia 
existente no ambiente. Por meio da viso e da audio, freqentemente tomamos conhecimento de objetos 
muito distantes, como, por exemplo, um avio a grande altitude. As vezes, o tato tambm nos auxilia a perceber 
melhor objetos distantes. E o que ocorre quando passamos em frente de uma geladeira cuja porta est 
entreaberta. O ar frio que sai da fresta  prontamente percebido pelos receptores trmicos da pele. A 
intensidade da temperatura permitir avaliar se estamos prximos ou distantes do aparelho. Quando 
adormecemos sobre a esteira, na praia ou na beira da piscina, os receptores trmicos no permitiro que o sol 
seja esquecido. De um mo 98 
99 
6.5. Interao multi-sensoral 
do geral, no entanto, o tato fornece informaes sobre objetos que j esto em contato com nossa pele. Um exame mais 
detalhado pode fornecer informaes importantes a respeito da temperatura, forma e tamanho do objeto. O tato contribui 
para tomarmos conscincia de nosso prprio corpo, auxiliando-nos a discriminar o Eu do No Eu, isto , diferenciar 
nosso corpo dos demais objetos do ambiente. 
A interao entre tato e cinestesia permite a obteno de informaes importantes e detalhadas sobre objetos prximos, ao 
alcance da mo. Percebendo a temperatura, a textura dos tecidos que nos envolvem e a posio de nossos braos, mos e 
dedos, somos capazes de puxar o lenol e descartar o cobertor, sem precisar acender a luz do quarto nas noites quentes de 
vero. O tato permite discriminar um do outro. Atravs da cinestesia, afastamos o cobertor indesejvel a uma distncia 
adequada de nosso corpo. A percepo do espao imediato e distante  perfeita, graas  sofisticada interao mltipla das 
modalidades sensoriais. 
6.4. Percepo olfativa do espao 
Enquanto escrevamos estas linhas, sentimos o cheirinho da carne assando sobre a brasa da churrasqueira de um de nossos 
vizinhos. Com um leve movimento de cabea, foi fcil localizar a fonte do conhecido odor: 
estava na direo do quintal. Portanto, sem sair do gabinete, foi possvel tomar conhecimento de objetos relativamente 
distantes, como a churrasqueira, carvo e carne de casas vizinhas. A intensidade do cheiro permitiu avaliar a distncia do 
churrasco. Para maiores informaes sobre a localizao exata, forma, cor e tamanho do churrasco, precisamos da viso. 
Para saber se o tempero estava bom, bastou felicitar o vizinho aniversariante e aceitar o prato que nos ofereceram. Estava 
delicioso! Temos duas narinas pelas quais o odor das substncias penetram. Portanto, se o odor est sendo propagado por 
uma brisa que vem da direita para a esquerda, atingir primeiramente uma narina e, depois de frao de segundos, a outra. 
Como na audio, o resultado  uma diferena temporal entre a estimulao olfativa proveniente dos receptores. Porm ns 
no percebemos dois cheiros; percebemos um odor que vem de um lado. Isto , a discrepncia temporal entre os estmulos 
permite perceber a localizao da fonte de estimulao. Atravs do olfato, recebemos informaes sobre determinadas 
caractersticas qualitativas do espao, imediato e distante. Por exemplo, podemos avaliar se o local em que nos 
encontramos  arejado ou se est abafado, se a gua da piscina contm cloro, se h ou no vazamento de gs no fogo. Estas 
informaes a respeito do espao e dos objetos nele existentes so fundamentais para a nossa sobrevivncia. No poderiam 
ser fornecidas pela viso e audio. ,.-- 
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Graas  riqueza de informaes existentes a respeito do espao e  extraordinria interao entre todas as 
modalidades sensoriais, somos capazes de perceber e viver adequadamente, mesmo quando ocorrem 
deficincias temporrias ou permanentes em uma destas modalidades, como por exemplo, na cegueira e surdez. 
6.6. Percepo do tamanho 
Nossa percepo de tamanho  excepcional. Vejamos se voc concorda: coloque sobre uma mesa um objeto 
qualquer, como um copo ou este livro. A seguir, d um passo para trs. Olhe bem para o objeto e diga, em voz 
alta, quantos centmetros voc acha que ele tem de altura (ou comprimento). A seguir, d mais um passo para 
trs e faa um novo julgamento de seu tamanho que seja independente do julgamento anterior. Continue 
procedendo da mesma maneira por mais uns cinco ou seis passos, sempre observando atentamente o objeto. 
Voc verificar que,  medida que voc se afasta do objeto, sua percepo de tamanho permanece inalterada. 
Esta singela experincia pode parecer uma tolice. Mas  justamente a constncia de seu julgamento sobre o 
tamanho do objeto que  intrigante. 
Tente repetir a mesma experincia. Porm, desta vez, sejamos mais cautelosos. Afaste-se mais ou menos um ou 
dois passos do objeto e feche um olho; com um lpis na mo, estenda o brao bem  sua frente. Tente marcar a 
altura do copo ou do livro com o polegar sobre o lpis, como fazem os desenhistas e pintores quando querem 
medir o tamanho de objetos. A seguir, d um passo para trs e torne a medir o tamanho do copo com o seu 
lpis; proceda desta maneira a cada passo que se distanciar. E agora, o que voc verificou? Quanto maior a 
distncia entre voc e o copo, menor o tamanho assinalado com o seu polegar no lpis. A imagem projetada na 
retina sofre modificaes semelhantes. Com o aumento gradual da distncia, verifica-se a correspondente 
diminuio do tamanho da imagem. E  desta imagem na retina que resultaro os impulsos nervosos que sero 
enviados para o crebro. O que intriga, no entanto,  que seu julgamento a respeito do tamanho do objeto 
corresponde ao tamanho real e imutvel. Isto , apesar da reduo do tamanho da imagem na retina voc no 
percebe o objeto como se estivesse encolhendo. Como explicar esta excepcional capacidade de perceber 
corretamente o tamanho dos objetos? 
Movidos por esta curiosidade, vrios pesquisadores dedicaram seu tempo e interesse ao estudo da percepo 
de tamanho. Verificaram que ela depende da percepo da distncia (ou profundidade) e dos demais objetos 
prximos. Tudo indica que a correta percepo de tamanho s  pos101 
svel porque respondemos a uma relao entre objetos. Isto , objetos e demais elementos do ambiente, 
prximos do objeto observado, determinam a nossa percepo de seu tamanho. Disto se aproveitam diretores 
de cinema, televiso, teatro e companhias de propaganda, confeccionando moblia e outros objetos de grandes 
dimenses, para dar a impresso de que o personagem da histria  muito pequeno. Quando o efeito contrrio 
 desejado, ou seja, proporcionar-nos a impresso de que determinado modelo de automvel ou poltrona  
grande e espaoso, esses objetos so inseridos entre outros objetos pequenos, ou, ento, so contratados 
apresentadores muito charmosos, porm de baixa estatura. J vimos que um dos indcios de 
tridimensionalidade do espao, o gradiente de textura, informa sobre a que distncia se encontram partes 
diferentes de grandes superfcies, como o solo e as paredes, uma vez que os seus elementos, como pedras e 
tijolos, localizados a grandes distncias, projetam imagens retinianas muito pequenas. 
A conhecida iluso visual de Ebbinghaus, apresentada na figura 6.5, ilustra claramente a importncia da 
relao entre elementos diversos do ambiente. Consiste de dois crculos de igual tamanho; um circundado por 
crculos pequenos e outro por crculos grandes. Os crculos pequenos e suas respectivas imagens retinianas 
proporcionam indcios de objetos distantes; as imagens retinianas dos crculos grandes proporcionam indcios 
de objetos prximos. Conseqentemente, os dois crculos centrais iguais so percebidos como sendo de 
tamanhos diferentes, pois este julgamento  produto da interao entre todos os elementos presentes na 
figura. 
Figura 6.5. Iluso de Ebbinghaus. 
Quando somos convidados a julgar o tamanho de objetos, em circunstncias nas quais no  possvel 
compar-los com outros objetos, nem julgar a distncia, verifica-se que, se o objeto  conhecido, nossa 
percepo do seu tamanho  correta porque o julgamos de memria. Se, porm, o objeto  desconhecido, 
cometemos erros perceptivos. Esta  uma das causas provveis das discrepncias entre os relatos de pessoas 
que alegam terem visto discos voadores. Os erros perceptivos sero obviamente maiores quando as 
circunstncias forem pouco propcias para o julgamento da profundidade, isto , quando forem vistos em cu 
aberto, em praias ou campos desertos, ou na penumbra. Quando a distncia entre observador e objeto for 
muito grande, a percepo de tamanho pode ficar comprometida. Por isto nos surpreendemos que automveis 
vistos do alto de arranha-cus paream brinquedos e pessoas se assemelhem a formiguinhas. Existem, no 
entanto, relatos de pedreiros e limpadores de janelas, acostumados a trabalhar a grandes alturas, mostrando 
que a experincia desenvolve uma correta percepo do tamanho dos objetos e pessoas observadas no solo. 
Estes profissionais no relatam a sensao de ver miniaturas. 
O tamanho dos objetos tambm pode ser percebido pela interao entre tato e cinestesia. Para pegar uma 
chave escondida sobre um guarda-roupa, em um quarto completamente escuro, dependeremos do tato e da 
cinestesia para encontrar o guarda-roupa. Levantando os braos a fim de alcanar o alto do mvel, os 
receptores cinestsicos nos informam se ele  mais ou menos da nossa altura. Se precisarmos ficar na pontinha 
dos ps, os receptores cinestsicos das pernas permitiro um julgamento mais seguro de que se trata de um 
objeto bem mais alto que ns. Ao esbarrar com a mo na chave, tato e audio fornecero informaes 
conjuntas sobre as suas caractersticas. 
Resumindo, podemos afirmar que nossa percepo de espao, distncia, profundidade e tamanho depende da 
interao de muitos indcios captados por vrias modalidades sensoriais, principalmente visuais e cinest o 
oQo 
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sicas. 
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